Um dos principais desafios enfrentados pelas empresas de TI é a contratação de funcionários qualificados tecnicamente e que possuam outras competências, como boa comunicação e liderança, por exemplo. Muitas dessas lacunas são observadas logo no processo de seleção, porém, com o baixo número de especialistas do setor, muitas organizações acabam contratando profissionais ainda não completos – ação que exige o investimento no desenvolvimento profissional dos colaboradores a longo prazo.

O Panorama do Treinamento do Brasil de 2016, indica que o investimento anual em Treinamento e Desenvolvimento (T&D) sobre a Folha de pagamento das empresas brasileiras é de 11% – aproximadamente três vezes maior do que a média dos EUA, de 3,96%. Contudo, a pesquisa destaca que, em relação ao faturamento bruto, tal investimento é de 0,46%, enquanto que nos EUA é de 1,49%. Essa diferença demonstra que a Folha de pagamento brasileira é menor, assim como o investimento aplicado em capacitações para as equipes.

Outro dado relevante do estudo é que, em média, as organizações têm um custo anual de R$624 no treinamento e desenvolvimento de cada funcionário, variando conforme o tamanho do negócio. Entre as capacitações aplicadas, em geral:

  • 14% são para alta liderança das empresas;
  • 26% são para gerência e supervisão;
  • 60% são para não líderes.

Em nossa Pesquisa Salarial realizada em 2017, com 130 empresas catarinenses, detectamos que 50% oferecerem auxílio educação para seus colaboradores e em 53,85% são disponibilizados cursos de idiomas.

 

Com um perfil de novos trabalhadores que permanecem cada vez menos tempo na mesma empresa, os gestores de recursos humanos podem questionar a validade de aplicar recursos na capacitação dos funcionários. Contudo, a falta de investimento pode sair ainda mais caro se o profissional permanecer na organização. A baixa aptidão em certas áreas, como oratória e gramática, por exemplo, também pode prejudicar a organização, levando a perda de credibilidade e oportunidade de novos negócios.

Por outro lado, a organização que cria condições para o desenvolvimento profissional dos funcionários amplia as possibilidades para a retenção de talentos. Em um ambiente onde há o incentivo ao aperfeiçoamento técnico e pessoal, os profissionais se sentem mais seguros e com liberdade para inovar e desenvolver novas habilidades. É claro que tais ações exigem investimentos financeiros, principalmente em grandes empresas, mas o retorno pode gerar o crescimento da organização e a formação de um time de especialistas.

 

Estagiários e programas de treinamento

Mesmo nas universidades com excelência no ensino, existem diversas lacunas na formação de novos profissionais que irão integrar o mercado de trabalho. Uma forma de capacitar os estudantes e proporcionar o contato com novas tecnologias e conhecimentos específicos é a criação de programas de treinamento (trainee) ou a contratação de estagiários. Em ambos os casos, o objetivo da empresa deve ser preparar o estudante para integrar a equipe, fornecendo as ferramentas necessárias para aprimorar o seu desenvolvimento profissional.

Desenvolvimento profissional: competências essenciais para o setor de TI


No setor de serviços, como das empresas de TI, são priorizados os treinamentos comportamentais e técnicos, que promovem melhorias no desempenho individual e da equipe. Além destes, também há alguns cursos obrigatórios conforme o porte da empresa, com o de brigada de incêndio e de segurança do trabalho, que devem ser planejados pelos gestores de RH. Abaixo, listamos algumas áreas e ideias que os gerentes de RH podem aplicar no aperfeiçoamento da equipe:

 

  • Cursos específicos de cada setor: novas tecnologias, programas e softwares adotados por grandes corporações exigem o contínuo aprendizado dos profissionais que atuam no segmento de tecnologia. Nesse sentido, a empresa pode promover treinamentos internos de lógica e novas linguagens de programação com especialistas ou então, financiar a participação em cursos e eventos externos.

    Outra possibilidade é realização de cursos à distância, que já representam 15% dos programas de treinamento nas organizações brasileiras, de acordo com o Panorama do Treinamento do Brasil.

  • Inglês, espanhol e outras línguas: o custeamento total ou parcial de aulas de idiomas para os funcionários deve ser uma das prioridades em negócios de TI. Além de otimizar processos internos no desenvolvimento de serviços e produtos, a fluência em outros idiomas irá ampliar o acesso à diferentes conhecimentos e contatos internacionais. A equipe pode criar grupos de conversação ou realizar workshops internos, conforme a necessidade da organização.
  • Gramática e oratória: mesmo que o foco da organização seja apenas o desenvolvimento de softwares e produtos, a gramática e oratória continuam sendo fundamentais na comunicação interna e no relacionamento com clientes – principalmente na captação de novas oportunidade e apresentação do negócio.
  • Liderança e empreendedorismo: mais do que qualificação técnica, muitos empreendimentos têm buscado profissionais capazes de liderar, assumir riscos, e buscar soluções originais e inovadoras para a organização. Os gestores podem incentivar o aprimoramento de tais práticas com cursos sobre os diferentes tipos de liderança e a criação de desafios para o time.
  • Organização e gestão do tempo: um dos maiores problemas das empresas é a produtividade e rendimento dos trabalhadores. Busque ferramentas que otimizem a organização e gestão das atividades dos seus colaboradores. Alguns exemplos são: Trello, Google Drive, Slack e Asana.

Como você incentiva o desenvolvimento profissional na sua empresa? Compartilhe conosco ideias e dificuldades enfrentadas para aperfeiçoar a qualificação dos funcionários. Acompanhe o nosso Blog e saiba mais sobre gestão de negócios e remuneração estratégica.